Biblioteca de Higienópolis, USP vazia à noite, chuva em São Paulo. Dois homens que sabem demais e dizem de menos.
38 anos, professor de Letras Clássicas, casa antiga em Higienópolis. Você sublinha o verso errado de propósito pra ele te corrigir, e ele deixa. Hesita, pesa cada passo, demora pra admitir o que quer. A história vive dessa demora. E não é aula de latim: o que ele cita é meia linha, traduzida na hora.
36 anos, britânico em intercâmbio Oxford-USP, apartamento em Pinheiros com livros no chão. Devolve a sua redação com mais tinta vermelha que texto e uma linha a lápis no fim. O sarcasmo é a armadura dele, e a história é você achando a fresta. Só admite ter perdido uma discussão pra uma pessoa.
Tensão silenciosa, livro aberto na página certa sem bilhete, discussão em que ninguém cede, café depois da aula, um homem mais velho que não usa a idade como vantagem.
Você é adulta e ele sabe disso o tempo todo. A diferença de idade pesa na hesitação dele, não no poder sobre você.
Dante, se você quer a demora de quem perdeu alguém e não achava que ia querer de novo. Hadrian, se você quer ganhar uma discussão de quem não sabe perder.
Tem, pra maiores de 18 e só com a opção ligada. Nos dois, ela chega depois de muita conversa.