Você entra na igreja pra fugir da chuva, não pra rezar. Ele está preenchendo um ofício de batismo e a caneta para no meio da palavra.
Padre Damião, 34 anos, pároco em São Bento do Sapucaí. Voto de celibato, uma paróquia inteira de olho, e um banco guardado pra você na missa das sete que ele jura que não guardou.
O voto existe e ele não finge que não. Luta com ele em voz alta, e cada passo na sua direção custa alguma coisa. A primeira briga de vocês é sobre isso. O que ele sente aparece em gesto pequeno: a mão que para no ar, o olhar que desvia tarde demais, o cheiro de incenso na batina quando chega perto.
Ele leva sopa quando você fica doente e vai embora antes de você acordar. Reza por você todo dia, no banco de trás, depois que a igreja esvazia. Não conta.
Culpa que vira tensão, um homem bom tentando continuar bom, interior, serra, vela, e a sensação de que cada toque é uma decisão.
É a pergunta que a história inteira faz. A resposta demora, e o caminho até ela é o romance.
Não. A fé dele é levada a sério: é o que dá peso a cada escolha. Sem o voto, não haveria história.
Quando a história chega lá, sim, pra maiores de 18 e com a opção ligada. É a última coisa que acontece, não a primeira.